terça-feira, 22 de abril de 2008

Poema ao cavernoso

O desejo sexual nasce do nosso olhar, pra depois se esparramar
pelo resto do organismo; uma coisa incontrolada como cair num abismo.
Envolve também o peito onde faz bater mais forte o pobre do coração,
a pupila se dilata e o olhar se ilumina, a respiração descontrola
e pra nada mais se dá bola. O lábio fica mais rubro, às vezes é por baton
outras vezes é por cio, a boca resseca e a venta dilata; isso se chama tesão;

Assim como descrevo acontece até com os bichos, é coisa de animal,
dos quais nos diferenciamos pelo requinte do afeto, que torna o amor mais correto;
mas, também, nem sempre é assim, pois tesão não vê limite.
Depois que o bicho homem vira a cabeça prum lado, nem mesmo com
alambrado se consegue controlar, é como água morro abaixo, não se
pode atacar.Com a mulher é a mesma coisa, se quer dar, não dê palpite.

Desde o tempo do Sinai, Deus já tinha razão quando incluiu na sua pedra
"não queira a mulher do irmão próximo". Estava certo o homem velho,
pois desde aquele então, os maiores pecados, lhes digo, estão entre o joelho
e o umbigo, na zona do agrião. Pai do céu tinha razão quando
falou pra Eva e Adão, "Não se metam com a serpente, que esta tipa é traiçoeira,
não é lá boa gente". Pura palavra vã, eles já vinham provando.

Desde este acontecido viemos nos debatendo entre o pode, não pode
do ato. Por ser muito bom, de fato, é um pouco proibido, o que lhe dá
mais sabor e lhe enche de emoção. Tem o valor da conquista
e toda a preparação, que seja homem ou mulher, têm que obedecer,
é o cabelo e a barba, o penteado, o ruge, o adereço, carece agradar a vista,
e chamar mais atenção. Sem esquecer um bom papo para poder convencer.

E assim nesta revoada vivem machos e fêmeas; a grande preocupação
e o quanto é preciso agradar afim de se acasalar, nem que em meio
ao caminho fique só na fantasia, em transa de pensamento;
o importante é o momento e a tesão, o envolver-se na intenção, o sentir seu devaneio.
Pois uma coisa é bem certa e sem conversa fiada, este é o motor do mundo.
Olhe ao seu redor, tudo se faz pra agradar, não importa bonito nem feio.

Assim é que, desde pequeno, se sabe que o assunto é veneno, "qual o quê!"
Pois nos é apresentado com gosto de safadeza, o pai mexe na pichonga,
mas protege a da menina, é coisa muito preciosa e não se pode nem ver.
E você cresce sabendo que embora seja irmão, é ali a maçã do Adão
que um dia comeremos, tentando talvez a empregada, pobre duma guria,
com igual curiosidade; e vai ser por essa idade o início da função.

Dizem que um fio de pentelho tem poder descomunal,
uma força de tração mais forte que animal ou uma junta de boi;
não se é ou como foi, mas é assim que tem sido com as relações em geral,
o homem, também, como animal, mas com inteligência e munido de paciência,
capaz de ficar pensando durante um tempo, arquitetando, sei lá quanto,
para atingir, eu garanto, o alvo que lá está, a fêmea da preferência.

E esta, de sua parte, se faz de desentendida, mas louca pra ser comida,
pois se aquece embaixo, nele, igual nela acontece - a tesão é universal-
somos o mesmo animal, desde a abelha ao javali, queremos é aquilo ali,
não interessa que jeito, nem as pedras do caminho ou a distancia a vencer,
sempre haverá quem suplante seja qual for o empecilho, seguindo sempre
este trilho que vai subindo dos joelhos e finda na "decomer".

Dizia o doutor Santos Souza, eu concordo com ele e sei que também você,
que aquele lugar é tão bom que deveria servir de eterna moradia,
podia variar o gosto, de moça, velha ou guria, bom negócio morar dentro
e o resto não importava. Afinal, tirando aqueles paridos de cesareana-
saídos da porta ao lado- o resto do eleitorado saiu pelo canal certo,
porisso o homem, experto, no tal canal quer voltar 2-3 vezes por semana.

Pois é, verdade lhes digo, esse tal envolvimento tem a idade do mundo,
hoje melhor compreendido para o bem da humanidade,
que encara esse rola-rola com mais naturalidade. Muito embora o bicho homem
não deva fazer como bicho e sair, descontrolado, a fazer o que não deve,
porque ainda existe pecado; não seja inconveniente e muito menos tarado,
senão a mulher se ressente! Tem que adoçar o bico e depois pegar de leve.

Porisso tudo é que existe a tal arte do encontro que nada mais é
que a busca eterna do amor, nas suas formas variadas e sem dor,
pois a força da libido que é a que comanda tudo, a maior força do corpo
que se aplicada direto dá nisso; ou, se a usa transformada, acaba em criação.
De fato tudo sai feito se se usa essa energia de maneira estilizada,
mas você vai convir comigo, bom mesmo é usá-la direto, e muito mais ,
é usar na mulher amada, dar uma boa trepada, mas de bem porta fechada!

Para esse mister altaneiro tem tesão de todo o tipo, existe a tesão de guri
que agarra o seu pipi e o bota pra brincar e quando vê, que surpresa, está
com a pica bem tesa. Mas tem também a crescente tesão do adolescente,
que às vezes parece uma briga, a pobre da peça padece e é até esguelada.
E as meninas também aos poucos vão se descobrindo, brincando com a
intimidade e também se satisfazem, embora façam de forma dissimulada.

Uma coisa não se entende, tem gente até que não gosta, não há reza
nem proposta que os faça acasalar e não chegam perto nem para farejar.
Embora gostem de dar, fazem de forma às avessas e não adianta promessa
ou mesmo proposição, neles e nelas nasceu trocado o lugar da sua tesão,
bem fora da posição, "papai e mamãe" não tem jeito, "Nem morto!", dizem:
e se vêm em fotografia, "Mata,mata,mata", diz o fresco e a sapatão.

A tesão normalmente é pra frente, muito embora haja desvio
e exatamente por isso tem gente que acha melhor engatar a marcha à ré;
mas pelo amor à natureza, bom é macho com fêmea e as suas variações!
Casal de homem com homem ou mulher e mulher, é o inverso da vontade,
ainda que satisfaça e tem gente até que faz graça: "O desvio é tão bom que
dele nunca se volta". Se for assim, eu pergunto, quem fabrica a humanidade?

E a vida assim vai seguindo. Quando se está na idade em que tudo parece fácil,
e assim realmente é, a moçada não sabe fazer o troço muito direito,
fazem só apuradinho, subindo o elevador, no carro, sentados no parapeito,
com uma tesão de frangalo, ligeirinha de estudante, boa forma e fartura,
comem se lambuzando e acabam desperdiçando os detalhes da paixão.
Mal sabem que é na idade dos "enta" que começa a gostosura.

Depois vem a tesão de adulto, essa sim não perdoa, só termina se morto,
seja nele ou nela seja, é preciso sempre estar com o visual bem lustrado,
mesmo os feios se fazem, tem sempre chinelo velho ao pé torto destinado.
E depois que dá o estalo e a vontade se inflama, o feio parece ser lindo
e até pouco importa o belo. Somente indo pra cancha pra se resolver o caso,
me refiro à u'a cama, onde na sua moldura, o amor se vai repartindo.

Tudo gira ao seu redor, observe, a vida inteira, o negócio sempre é achar
o seu tipo companheiro ou então sua parceira. Pode não ser para sempre,
pode até mesmo ser sonho, coisa de fantasia e mesmo assim é importante.
Se não fosse essa a verdade, a trabalhar, então, Deus nos tinha colocado,
antes de nos ensinar como se devia amar e também a procriar,
que por ser tão importante, Pai do céu nos ensina, é bom não ser abusado.

Mas é na idade do "enta" que a fêmea perde o pudor e lhe aumenta o furor,
então começa a usar dos mais variados recursos para atrair seu amor,
é ruge e baton bem vermelho mostrando os lábios em cio,
além do cheiro do hormônio, se borrifa com perfume querendo botar ciúme, sei de cor;
é tudo para atrair, como as abelhas fazem com seus zangões,
só que elas dançam e as nossas mulheres balançam aquilo que tem de melhor.

Não satisfeitas com seus verdadeiros dotes apelam pra cirurgia
na bunda, rosto e culotes, aumentam um pouco aqui, retirando um tanto ali,
se enchem de silicone, a plástica é então aliada da nossa antropofagia,
já posso falar assim que todos vocês, a essa altura
já tão mais pra lá que pra cá, não ligam a nomenclatura;
mas verdade seja dita, que em nome da força do achego,
melhor arrepender-se do feito do que chorar covardia.

Além de existir o recurso da lâmina do cirurgião, outras armas aparecem
em nome dessa armação; existe até uma calcinha que dá volume na bunda,
a saia veio encurtando e o umbigo mostrando bem onde o olhar afunda;
diante desse belo quadro, não tem cristão que resista ou então sinta tédio,
- o apelo fica tão forte- é a camisola de seda, é o lençol de cetim, calcinhas
com cheiro e sabor! O cinquentão não agüenta, isso sim é que é assédio!

Mas tem um mal que acontece para alguns de menor sorte,
vitimado por desuso, desdém, doença ou cigarro e até por encucação.
Não desejo pra inimigo, é coisa pior que a morte que acomete à criatura.
É como um raio que cai no objeto de uso nas lides carnais do amor,
não obedece mais ordem e acaba deixando na mão o seu dono-comedor.
Se for uma vez se disfarça, mas se for seguido, é brochura!

No passado era um mal sem cura, isso no tempo que a oferta
era menor que a procura, num tempo em que este esporte inebriante e encantador
estava mais pra carestia e safra ruim de vaca magra.
Agora a coisa mudou e existe jeito e maneira de se conseguir a tesão,
como num passe de mágica e com vara condão; até com real qualidade,
se pode fazer implante por dentro do cavernoso - e ultimamente o Viagra.

Porisso não desespere e menos se apoquente que o seu dia está
chegando, você que passou brochando, pagando muito pecado
deitando e virando de lado, desistindo da empreitada,
largando a mulher amada entregue ao seu devaneio
e você sem dizer a que veio, se fazendo de cansado. Agora a coisa mudou,
é só tomar o tablete, esperar por meia hora e o cavernoso está cheio.

Mas por favor me escute, pelo amor de seus netos não cometa loucura,
se o tablete é benvindo, se é ajuda à natureza e lhe devolve a pica tesa,
não se atire em água escura que não se sabe a fundura.
É uma boa sensação e que era contada perdida, tudo é mesmo beleza,
no entanto não ofenda nem arrisque a sua saúde e muito menos sua vida,
procure primeiro um doutor ou você morre da cura.

Mas, uma coisa me intriga nesta genial descoberta, visível de norte a sul!
Nem se se conseguir a cura do câncer ou até a cura da Aids,
vai chamar mais a atenção que este tablete azul. Mas aqui um alerta!
A brochura encoberta era maior que a imaginada, pelo jeito a velharada
andava contando, em vez de vergonha, vantagem. Pois dado o grande sucesso
do remedinho potente, a brochura geral estava na conta errada.

Não esqueça também a sua velha lombalgia, tenha um pouco de zelo,
não saia feito gurí, no atropelo, que o tal comprimido ao começar o efeito
você esquece a sua dor e também o seu defeito e já quer pular em pêlo.
E tem também o quadril que pode estar carunchado, uma junta de respeito,
que muito trabalha em todo esse sobe e desce e em qualquer montaria
e se houver imprudência você desce da mulher, mas continua no leito.

E por favor meu amigo, ainda que satisfeito com sua forma artificial,
não invente novidade nesta idade, não queira trocar o andar,
continue no seu trote, não queira galopar e muito menos trocar
a sua velha montaria por uma dessas guria que se aproveitam do idoso.
O rio anda mais caudaloso, por isso com muito cuidado,
troque o óleo com a sua velha, não se aventure à toa que é muito perigoso

Tem também o coração que precisa de atenção, pois está desacostumado,
primeiro pela emoção de assistir a ereção, um reverso da brochura.
E não tome o tal tablete junto a remédio nitrato, é loucura,
o mal-estar será um fato e até mesmo um infarto pode lhe pialar.
Pense então na situação, a pobre mulher embaixo, suportando peso morto,
você morre de pau duro e só amarrando na perna pra baixar sepultura.