Quando te decidires,parte!
Não esperes que o tempo cubra de flores o caminho.
Nem se quer esperes o caminho;
faze-o tu mesmo e parte!
Parte sem pensar que outros passos pararam,
Que outros olhos ficaram te olhando seguir!
Luis Guilherme do Prado Veppo é o autor destes versos sábios; um camarada tão marcante quanto as suas palavras, as quais, ainda hoje, vez que outra, me vêm à memória. Poeta, médico e contestador, era assim quando o conhecí em Santa.Maria.
Foi nosso professor de Clínica Médica e Cardiologia, há mais de 40 anos, cadeiras que exercia e ministrava com destreza verbal e mental, naquela época. Famoso, era bem falado no meio médico e universitário; antes mesmo de sua primeira aula já tínhamos opinião formada sobre ele, como sendo uma figura brilhante de dentro para fóra. Na realidade, era cativante nas suas aulas, controvertido de fóra para dentro, mas irrequieto e aflito consigo mesmo.
No entanto, tinha consciência de si, mas mais do que isso, sabia que a poesia acima, bela, sábia e profunda, era também norteadora, além de ser sugestiva e indutora de um caminho.
Pois esse poeta premiado, premido por pressões do seu caldeirão íntimo e buscando encontrar suas definições pessoais, depois de maduro e de encaminhar à cura tantos corações enfermos, a par do seu, palpitante, depois de homem mais que feito, fez sua formação psicanalítica. E depois, mais conhecedor de si mesmo, tornou-se um psicanalista conceituado na Boca do Monte.
Não sei, mas talvez não fizesse mais arranjos de palavras tão brilhantes como os iniciais, posto que já tinha o seu caminho, ou melhor, criara o seu.
Há alguns anos, antes de o perdermos, eu o encontrara em um restaurante, sozinho, pensante; não era mais o mesmo professor de antigamente. Sem controversões de fora para dentro, nem o contrário, e sem aflições.
Naqueles dias, contou-me, remexia em velhos baús no sótão das mentes dos outros e tratava do desencontro deles, havia se tornado um mestre no conflito alheio.
Mas, lá, no passado, deixou a idéia poética de que é o homem quem se manobra, nas rédeas do destino!
Prado Veppo, há 8 anos passados deixou mais frio o inverno da nossa devoção.