terça-feira, 22 de abril de 2008

Quando ví, havia morrido.

Não me era mais estranha,
a acomodação com a vida, que me levava
e o desistir das buscas na primeira tentativa;

Eu ia, quase mais parado que indo,
e em um banco bucólico de praça
me aposentei na mesmice diuturna
em um banco antes imóvel e tão sem graça!

Eu que sempre entendí a criação no homem
como virtude a deixá-lo próximo de Deus,
parei de entendê-la e mais ainda, de percebê-la
perdendo o ímpeto de fantasiar nos sonhos meus;

Nunca mais espichei meus olhos vivos,
nem olhei pra trás com discreção fingida;
tenho olhar opaco à beleza femea exposta,
mesmo àquelas tidas como proibidas;

Deixei de olhar vitrines e de vestir desejos;
barba feita, unhas lisas? - Por que aparência?
Eu nunca mais reclamei da passadeira,
e não mais briguei, calando à concorrência;

Adormeceu em mim a emoção da música
e não mais me apaixonei por ninguém ou nada;
e o pior, a horizontal virou a posição do sono,
a par de uma libido falente e agonizada;

Perdi a força pra organizar o futuro
e até o interesse por coisas do passado,
assim como tenho estado indiferente
a quase tudo que se me fala do presente;

Disputa? nem pensar, virei um desmotivado!
Bem, para resumir todo este tema,
quando olhei para trás e me ví estendido,
vi que havia morrido lá no início do poema!