domingo, 11 de maio de 2008

Bem-te-vi

Bem-te-vi !
Bem que eu te vi
em tempos idos;
pele, faro, pupilas,
tudo em alerta e desperto:
com os meus cinco sentidos
eu me punha a cuidar,
só pra te admirar;

.... de longe!

Jeitinho de moça
em formato de fêmea,
ao te aproximares
em (an)dança atraente
com um corpo torneado
em marfim esmerado,
remexendo minha mente;

As alças fininhas
nos ombros dourados,
o sulco dos seios
mostrando a fartura;
com muito respeito,
eu me deliciava
com a tua formosura!

Transparência de seda
a encobrir corpo esguio,
pelo olhar desnudado
deste macho em cio,
quantas vezes sonhei
em ser teu amado....

Os teus olhos melados
por trás dos cristais,
cabelo ondulado
da cor do pecado
e o pé pequenino,
prontinho, prontinho
para ser mordiscado;

O chão que pisavas
no teu dia-a-dia
passarela virava;
o teu caminhar
em urdido balanço
atiçando meus olhos
a te fotografar;

Nosso tempo foi pouco
mas foi grande o sufoco
palpitante, stressante
ao meu coração;
eu na contramão,
tu, uma jovem bonita
e eu, um madurão.

Então, o tempo passou,
- três anos talvez -
ou até um pouco mais,
quando alguns dos teus ais
pediram-me luz
e eu me dispus
a devolver tua paz;

No casual reencontro
ficou evidente
o que estava latente:
a tremenda atração
que havia dormido
no meu coração;

Atento escutei
o que tinhas na idéia,
- desencontros de vida-
e eu, panacéia;
carecia ser ímpio e eficiente,
meu consciente te ouvia,
mas por trás da queixa
eu te achava tetéia;

Voltastes melhor
algum tempo depois
e de novo sumistes.
Voltastes mais tarde
buscando um favor,
coisa que fiz,
mas meu alvo era o amor;

Segurar? Impossível!
Ao te ouvir confessar,
que errar tu erravas,
buscando acertar;
foi o mote fatal
que rompeu a represa
do meu peito em caudal;

Peito, aliás, de trapezista!

Confessei-me a atração
pela tua formosura
e, então, rosas mandei;
a verdade era antiga,
mas reprimida,
e em teu alvo acertei;

De lá para cá
a história conhece.
A lua ouviu tua prece
e o amor floresceu;
hoje, parece mentira, és minha
e eu, me belisco, sou teu;

Sem falar no Bem-te-vi
que de manhã entoa
um piado vigia;
faz a vez de porteiro
e ao amor sobrevoa.

Amor lindo de ver
e que por inteiro nos dedicamos
ao amanhecer!