domingo, 11 de maio de 2008

Golpe eqüestre

O Dr. Blau Souza, cirurgião vascular nosso conhecido, cuja naturalidade é disputada por Lavras e Bagé, veio de sofrer pouco tempo atrás de violenta queda de cavalo quando montava em seu sítio, no bairro Vila Nova, em Porto Alegre, onde mora. Além de fraturas, dias depois apresentou sintomas de um hematoma intracraniano, vindo a ser operado com sucesso. Quando soube do ocorrido, uma súbita inspiração me fez compor estes versos, os quais lhe foram remetidos.

Golpe Eqüestre- José Brasil Teixeira

Amigo, Dr. Blau Souza, desculpe-me a petulância,
o senhor, um homem de estância, conhecedor da lida,
foi, nesta altura da vida, meter-se com tal redoma.

Saldo de briga feia, contou-me o Franklin
nesta manhã de domingo, tuas peripécias de doma:
além da alma abalada e da rotina quebrada,
quebraste a cana do braço e ainda mais, um hematoma.

Mais notável, ainda, pra cima de um Acadêmico,
foi a arrogância da égua;
- talvez a de puxar pipa ou do andar da gurizada -
Não é que a idade ousa! Pois, sonhando com
o tempo de xucra, botou à nocaute um Souza!

Vou noticiar aos amigos com ar de admiração,
Sefrin, Medina e aos demais, este fato surpreendente
que não saiu nos jornais: Ginete desaquecido e poeta
conhecido leva golpe contundente!

Desgraça pouca é bobagem, é o que deves estar pensando;
mas, nada é tão ruim que não possa acabar em poesia....
Aproveita o teu por enquanto, neste compasso de espera,
e em insólita homenagem, faz pra égua uma elegia.

Desfalque em cavalaria, resta o lanceiro a pé
para enfrentar a peleia - rente ao chão,
nesta altura, a vida é bem mais segura –
é o que deve ser, por certo, tua madura conclusão;

Cá pra nós, reserva o teu entre-perna
para outra montaria, antiga modalidade
que, embora não tão freqüente,
é mais condizente com a idade;

E em nome da prosa e do verso e também do coração:
Ouve o clamor das juntas e esquece esta pangaré;
abre pra fora, agradece, olha de longe,
melhor andar embarcado ou ser um gaúcho a pé!