Na verdade, eu não sei bem
como manifestar,
como tratar o assunto
que hoje se comemora.
Talvez, eu tente em verso
para atingir a emoção
daquela de quem se enamora;
ou então,
o faça em prosa,
trazendo na mão uma rosa,
fica melhor explicado,
em singela expressão
daquilo que tenho agora
dentro do coração.
Na verdade, se eu voltasse, minha querida namorada, ao tempo do primeiro encontro, onde, num instante em que a distração das coisas chatas, comuns e indevidas do dia a dia permitiram que me fulminasses, quase à traição, com teus detalhes. Se este ocorrido fosse hoje, não sei bem o que faria. Entretanto, naquele instante, passado de encantamento, confesso(e não precisaria repetir), fiquei cativo, aprisionado. Coisa, aliás, que não conseguem fazer os insensatos e desmotivados das grandes sensações, bem como aqueles que desconsideram o fato de ser amante e ser amado, julgando tal estado como coisa de um prisioneiro mal encarcerado.
Mal sabem eles a boa condição que é essa aí, não é verdade?
O escolhido pra este dia
é um tal de Santo Antônio,
guardião do patrimônio
que ao longo se acumula,
protetor casamenteiro
dos pares que o suplicam,
na busca da proteção
desta mui doce empreitada,
que é manter bem guardada
no peito a mulher amada,
ou um amado, se é o caso,
e juntinhos se ficam.
Desde os primeiros tempos em que me mantivestes acorrentado ao teu encanto de tão linda mulher, quanto bondosa, cativante, apaixonante e apaixonada, urdi um plano infalível de nunca mais escapar das grades dos teus olhos e nem da segurança dos teus braços, um cativeiro que vem sendo a minha melhor clausura. Em matéria de amor, foste a minha penúltima loucura. A última, talvez juntos em uma só sepultura!
Louco de atar,
é como chamam aqueles
que estão enamorados,
de fato fica difícil
entender o inexplicado:
o olhar fica distante,
o sono não concilia,
o coração só palpita,
amiúde disparando,
a fome logo se acaba,
a sensatez se esfumaça,
nada mais do que acontece
parece interessar,
o negócio dele é amar e
junto permanecer
a vida toda se amando.