“No solo por las estrellas tiene luz el firmamento!” Larralde
Quando eu nasci, me foi destinado um céu, um verdadeiro presente vindo dos céus! No entanto, só fui percebe-lo em sua quase plenitude e essência ao longo da vida, desde um início, através de uma tenra compreensão de mim mesmo. E, em verdade, até os dias de hoje ainda encontro coisas novas nele, até então desconhecidas. Mas que sempre encantaram e encantam por todos os corpos que nele cintilam e que vemos nos céus de todos nós.
Ao longo dos tempos, nele encontrei um sol, que orientou onde estava o meu norte; uma lua que, quando cheia, me iluminou o desconhecimento da escuridão e que me deu sorte. Mas que quando minguava no céu e por dentro de mim, minguava-me também a vida e pressagiava a morte.....; e quantas vezes dela eu escapei! Por pura sorte, coisa que dizem que não existe.....
Nas minhas gratas e produtivas insônias, como foi bom descobrir, naquilo que os antigos de língua latina, ainda não sei bem por que, chamaram de firmamento, um São Jorge, a Chave do Céu, as Três Marias, miríades de estrelas, a estrela “boiera”, que acompanha o trajeto do por do sol orientando viandantes, a Via Láctea, a D´alva, o planeta Vênus, que ora está perto, ora está remoto. E o peculiar e vistoso Cruzeiro do Sul, uma cruz de estrelas que indica aquilo que me parece ser o chão, o alicerce do planeta terra, o nosso piso, o sul do mundo.
De quantas sacadas, de quantas vezes recostado campo à fora, de quantos pátios e com que silêncio observei aquele céu externo, com seu reflexo a harmonizar o meu céu interior.
Mas, ao longo dos anos, não foi só de astros e estrelas belamente arranjadas que foi feito este meu céu! Muitas vezes o vi escurecer qual um breu, trovoar, estremecer e despencar durante o dia; como o vi também trepidar, estrondar e faiscar, como que a virar dia, durante noites de inesquecíveis tempestades interiores. E vi bolas de fogo que me incendiaram a vida!
Desde os fenícios, passando por gregos, egípcios, maias, astecas e quase todas as antigas civilizações inteligentes, passando depois por Ptolomeu, Galileu, Copérnico, Halley e muitos outros, sem falar nos escribas românticos de prosa e verso, todos foram pródigos em descobrir e cantar antigos e novos corpos celestes - alguns metafísicos como o meu e o seu - e a admira-los cada um a seu modo, nos céus de suas épocas e de suas posições geográficas no planeta, nos dois hemisférios, incorporando suas interpretações às novas culturas.
Herculano, aliás, com sua filosofia milenar, já dizia: ”O rústico, por que é ignorante, vê que o céu é azul; mas o filósofo, por que é sábio, vê que aquilo que parece ser um céu azul, nem é azul, nem é céu!
Chegando até os físicos e astrônomos modernos, os hawkyns e os hubbles, que descobriram que, igual como em nossos universos interiores, nosso céu universal admirável encontra-se em expansão permanente, com a formação e destruição contínua de vidas estelares. Do que se aproveitam os devoradores de detritos cósmicos, os buracos negros. Bem como, relatam a renovação celestial através das estrelas “supernovas”.
Nossa vida interior nada mais é que uma repetição de tal fenômeno, um aperfeiçoamento continuo de nosso firmamento, daquilo que nos mantém vivos e úteis, uma renovação com evolução.
Pois, a despeito de Herculano e da Apolo 11, que tentaram tisnar nosso romantismo inspirado nos céus, sigo contemplativo.
Aliás, formada inicialmente por simples poeira de estrelas, a partir de um escasso, mas luminoso, tempo antes, há dois anos acabei de descobrir uma estrela “supernova”, compacta, em meu céu interior; a qual foi batizada de Plim-plim Leslie.
Desde então, ela habita meu céu e o céu do nosso lar, ilumina o meu caminho com seu fulgor próprio, guia meus passos em direção ao sempre, ao bem e a um amor de fundamento, em nosso firmamento; um brilho que sai do céu dela e que se reflete no meu.
E, desde que, em se tratando de estrelas, o tempo de dois anos é quase nada, por certo desfrutarei de seu brilho pessoal ainda por muito tempo.
Até que um dia, quem sabe quando, lá adiante, já poeira de amor cósmico, um buraco negro nos devore.
Amantes encantados! Abraçados! Juntos!